fotografia, 2009
Os dois se surpreenderam. Cachos pesados pendiam das laterias do rosto da Srta. Barrett, grandes olhos espertos brilhavam, uma grande boca sorria. Orelhas pesadas pendiam das laterias do rosto de Flush, seus olhos também eram grandes e inteligentes, sua boca estava aberta. Havia algo de comum entre os dois. Enquanto encaravam um ao outro, pensaram: aqui estou eu. Então, sentiram: mas que diferente! ... Separados violentamente, apesar de originados do mesmo molde, será que um completava o outro? Ela realmente poderia ser tudo aquilo, mas ele...não. Entre os dois existia o maior abismo que pode separar um ser do outro. Ela falava. Ele era mudo. Ela era uma mulher, ele era um cão. Assim, intimamente ligados, assim, intimamente separados, um encarava o outro. Então, de um salto, Flush subiu no sofá e se acomodou no lugar em que permaneceria para todo o sempre-sobre a manta aos pés da Sra. Barrett.
Flush, memórias de um cão
Virginia Woolf
